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Saturday, December 13, 2014

I did a weewee!! / Eu fiz xixi!!

As many of you already know, I work in a childcare centre with children 0-5 years old. And it is wonderful to witness and participate in their discoveries and achievements. I think children give much more value to their successes than adults do.

Basic activities in the life of a human being are developed and refined with dedication and enchantment every day by the children. A simple cheer from the educator for helping to tidy the room or the joy of having given the first step is something the child celebrates with a power so great that disconcerts me and brings tears to my eyes. And this happens all the time, every day, in front of me!

This week, Julia*, two and half years old, arrived at the centre lifting the front of her dress to show the panties she wore over the usual diaper. She had a big smile and spoke unintelligible words but we knew meant that 'she now would use the toilet and no longer the nappy changing room, like the other babies'!

Well, the second time Julia visited the toilet that day, I heard the pee she released with a serious face, concentrating. I told her, 'Julia, you're doing a weewee on the toilet! Like a big girl!!' And almost melted with her excitment: 'I did a weewee!!'

As usual, I called the other educators to celebrate with us and Julia could barely stand up to wipe herself, so excited she was with the applause and words of encouragement. She left the bathroom hopping in her joy!

On that day, despite being taken to the bathroom at all scheduled times for changing diapers and also every time she asked us to go, she still had the diaper on, as a safety measure. But the next day, Julia came without diaper and wearing only a pair of panties under the dress she proudly once again lifted to show it to everyone.

I think we should continue, even as adults, celebrating every new little big deed and post on Facebook things like 'I finally learned to make bread' or 'now I understand what global warming means, after I read that book by Al Gore' or 'I struggled, but managed to master Billy Jean's choreography'... but it seems that people get embarrassed to admit that learned something new. But, love to tell they 'bought' something new!

I, as I will never grow up - I swear to God I won't! - I tell you that I will continue sharing with you every little big discovery I make. If you want to be up-to-date, just visit the blog regularly! ;-)


*Julia is not her real name. I changed the name to preserve the little girls identity. 
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Como muitos já sabem, eu trabalho numa creche, com crianças de 0 a 5 anos de idade. E é maravilhoso presenciar e participar de suas descobertas e conquistas. Acho que crianças dão muito mais valor do que os adultos aos sucessos alcançados.

Atividades básicas da vida de um ser humano, são desenvolvidas e aperfeiçoadas com dedicação e encantamento a cada dia pelas crianças. Um simples elogio do adulto responsável por ter ajudado a arrumar o quarto ou a alegria de ter conseguido dar o primeiro passo é algo que a criança celebra com uma energia tamanha que me deixa desconcertada e à beira das lágrimas. E isso acontece o tempo todo, todos os dias, na minha frente!

Essa semana, Julia*, dois anos e meio, chegou na creche erguendo a frente do vestido pra mostrar a calcinha que vestia por cima da fralda. Ela tinha um sorriso aberto e falava palavras inintelegíveis mas, que sabíamos significavam que 'ela, agora, iria usar o banheiro e não mais iria ao trocador, como os demais bebês'!

Pois bem, na segunda vez que Julia visitou o toilet naquele dia, escutei o xixi que ela liberou com uma carinha séria de concentração. Eu disse à ela: 'Julia, você tá fazendo xixi no vaso! Já é uma mocinha!!' E quase derreti com a felicidade dela: 'Eu fiz xixi!!'

Como de costume, chamei as outras educadoras pra celebrarmos juntas e Julia mal conseguia ficar em pé pra se enxugar, tamanha alegria com os aplausos e palavras de incentivo. Saiu do banheiro dando pulinhos de alegria!

Naquele dia, apesar de ser levada ao banheiro todos os horários determinados para troca de fraldas e também todas as vezes que ela mesma pediu pra ir, ela ainda usou a fralda, como medida de segurança. Mas, no dia seguinte, Julia veio sem fralda, usando somente calcinha sob o vestido que ela orgulhosamente, uma vez mais, levantava pra mostrar a todos o que havia conquistado!

Acho que a gente devia continuar assim, mesmo depois de adultos, celebrando cada nova pequena grande façanha e postar no Facebook coisas como 'finalmente aprendi a fazer pão' ou 'agora entendo o que significa aquecimento global, depois que li um livro do Al Gore' ou 'sofri, mas, consegui dominar a coreografia de Billy Jean'... mas, parece que a pessoa tem vergonha de admitir que aprendeu algo novo. Mas, adora contar que 'comprou' algo novo!

Eu, como nunca vou crescer - juro por Deus que não vou! - informo que vou continuar dividindo com vocês cada pequena grande descoberta que fizer. Se quiser ficar por dentro, é só visitar o blog regularmente! ;-)

*Eu mudei o nome para preservar a identidade da menina.

Saturday, September 13, 2014

Livre Estou / Let it go

Sei muito bem como é estar num lugar em que se fala uma língua desconhecida! Sou brasileira e, até a adolescência, só falava português.

Anos mais tarde, passei uns meses na Alemanha e, apesar de entender e falar um pouco de alemão, me sentia como se fosse surda a maior parte do tempo já que não entendia quase nada do que falavam ao meu redor.

Quando fui morar em Cingapura, já falava inglês consideravelmente bem pra achar que não teria problemas pra me comunicar. Ledo engano!! O lugar é cheio de pessoas de muitas nacionalidades e línguas que eu nem sabia existir: tagalog, bahasa, tamil, hokkien... 

Na Austrália, entendo bem e sou bem entendida e já me acostumei ao sotaque local.

Mas, comunicação não é meramente o uso do idioma oficial do país em que se está. Há que se ter muito mais informação além do idioma para manter uma conexão efetiva com as pessoas. É importante se inteirar dos costumes locais em relação à política, esporte, religião, tabus, música, comida etc

Esse ano, ingressei numa nova profissão e ainda estou me acostumando às particularidades relacionadas a esse novo mercado, o de educação pré-escolar. Mas, até agora, o maior (e mais legal!) desafio tem sido pra entender uma língua que, tenho certeza, é muito parecida em quase qualquer país, hoje em dia: vocabulário infantil!

Digo isso porque, com a rapidez de comunicação e comercialização de bens de consumo atuais, crianças do mundo inteiro têm interesses em comum: Lego, Minecraft, Sims, Frozen, Transformers, Spider Man etc

Outro dia, um dos meus pequenos choramingada dizendo que 'precisava da sua Elssa' e eu não fazia ideia do que ele estava falando. No dia seguinte, uma 'princesa de vestido azul acinzentado' rodopiava cantarolando uma música bonita que eu não conhecia. Ontem, uma outra 'princesa de vestido azul acinzentado' chegou na creche e as outras 'princesinhas' menores ficaram loucas! Correram pra abraçá-la e apontavam a foto de uma princesa loira na frente do vestido. Adivinhe quem era a princesa da foto: Elsa, a princesa que se torna rainha de Arendelle e que tem o poder de criar gelo com as próprias mãos.

Frozen O Reino de Gelo, é o hit to momento nas creches do mundo, aparentemente! Então, tive que fazer meu dever de casa e assistir ao filme. Desde ontem à noite que não paro de cantar "livre estou, livre estou..." Rodopio pela sala... "livre estou, livre estou..." Meu marido já está de saco cheio! rsrs Mas, a trilha sonora do filme é linda e essa música não ganhou um Oscar à toa!! Livre Estou

Que venham perguntas e choramingos!! Estou preparada pra dançar e cantar com eles... "livre estou, livre estou..." :-)
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I know very well how it feels to be in a place where people speak a different language! I'm Brazilian and, until my adolescence, I spoke only Portuguese.

Years later, I spent a few months in Germany and, although I could speak a little German, I felt like I was deaf most of the time since I couldn't understand almost anything of what was spoken around me.

When I moved to Singapore, I already spoke English pretty well to think that I wouldn't have problems to communicate. Silly rabbit!! The place is full of people of many nationalities and languages ​​that I didn't even know existed: Tagalog, Bahasa, Tamil, Hokkien ...

In Australia, I understand well and am well understood and already got used to the local accent.

But communication is not merely the use of the official language of the country where you are. We must have much more information beyond language to maintain an effective connection with people. It is important to become aware of local customs in relation to politics, sports, religion, taboos, music, food etc.

This year, I started a new career and am still getting used to the peculiarities related to this new industry: pre-school education. But, so far, the biggest (and coolest!) challenge has been to understand a language, I'm sure, is very similar in almost every country today: children vocabulary!

I say this because, with the rapidity of communication and marketing of consumer goods today, children worldwide have interests in common: Lego, Minecraft, Sims, Frozen, Transformers, Spider Man etc.

The other day one of 'my' kids whined saying 'I need my Elssa' and I had no idea what he was talking about. The next day, a 'princess in grayish blue dress' swirled humming a beautiful song that I didn't know. Yesterday, another 'princess in grayish blue dress' arrived at the childcare centre and the other little 'princesses' went crazy! They ran to hug her pointing a picture of a blonde princess on the front of her dress. Guess who was the princess in the photo: Elsa, the Princess that becomes Queen of Arendelle and has the power to create ice with her bare hands.

Frozen is the hit of the moment amongst the children of the world, apparently! So, I had to do my homework and watch the movie. Since last night I can't stop singing "let it go, let it go..." Twirling around the living room... "let it go, let it go..." My husband can't stand it anymore! hehehe But the film's soundtrack is beautiful and this song hasn't won an Oscar for no reason!! Let it go

Let the questions and whimpers come!! I'm ready to dance and sing along with them ... "let it go, let it go ...":-)

Thursday, August 21, 2014

Realização de um sonho escondido.../ A hidden dream coming true...

Nas últimas semanas, me descobri feliz por estar desempenhando uma função em que nunca havia me imaginado: radialista!

Faço um trabalho voluntário pra uma escola de meditação local há mais de dois anos e, recentemente, fui presenteada com uma nova função que é apresentar o programa de rádio que eles têm aos domingos de manhã.

O nome do programa é Mind Matters (algo que eu traduzo como Papo Cabeça, mas a tradução livre é Assuntos da Mente) e o foco é a técnica vipassana de meditação. Além de música legal (que eu mesma escolho e só toco música que eu gosto!), também tem entrevistas e palestras, previsão do tempo, notícias e situação das rodovias e linhas de trem locais, e mais os meus comentários, é claro.

Eu preparo o show com esmero: escolho um tema, daí, vou atrás de material relacionado com o tema (ex.: o que significa vipassana, valor do trabalho voluntário, equilíbrio da mente, falta de amor no mundo etc). É muito legal entrevistar pessoas e aprender um pouco mais sobre elas. Ando aprendendo bastante sobre meditação já que tenho estudado bastante para montar os roteiros.

Outra coisa muito legal é que estou aprendendo muito sobre equipamentos de som, edição de arquivos de som e aprendendo todos os 'jargões' que radialistas experientes usam.

Mas, a melhor parte é definir a trilha sonora! Havia esquecido de como gosto de música já que não tenho tido muita chance de ouvir música, nos últimos tempos. Mas, agora, estou montando um banco de dados que (na minha opinião!) é de dar inveja em profissionais da área! Ouço música o dia todo pra ir catalogando e selecionando as que incluirei em futuros programas. Ah, estou adorando isso tudo!

Se você ficou interessado no programa, dá pra escutar pela internet, é só acessar esse website www.rbm.org.au. Mind Matters, na Radio Blue Mountains FM 89.1, vai ao ar aos domingos, das 8 às 10 da manhã (sábado, 7 da noite, no Brasil). :-)

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In the past weeks, I found myself happy to be playing a role in which I had never imagined: radio broadcaster!

I do volunteer work for a meditation school for over two years and recently I was given a new function that is to present the radio show they have on Sunday mornings.

The program name is Mind Matters and the focus is on vipassana meditation technique. In addition to cool music (I choose the soundtrack myself and just play songs I like!), it also has interviews and talks, weather, news and situation of local highways and train lines, plus my comments, of course.

I prepare the show with care: choose a theme, then, I look for material related to the topic (e.g.: meaning of vipassana, value of voluntary work, balance of the mind, lack of love in the world etc). It's really cool to interview people and learn a little more about them. I've been learning a lot about meditation since I have to research a lot to develop the scripts.

Another really cool thing is that I'm learning a lot about sound equipment, editing sound files and learning all the 'jargon' that experienced broadcasters use.

But the best part is setting the soundtrack! I had forgotten how much I like music since I haven't had much chance to listen to music in recent times. But now I am building a database that is worthy of envy (or I wish!) to professionals! I listen to music all day to catalog and select those that I will include in future programs. Ah, I'm loving it all!

If you got interested in the program, you can listen to it on the internet, just access this website www.rbm.org.au. Mind Matters, on the Radio Blue Mountains FM 89.1, airs on Sundays from 8 to 10am (AEST). :-)

Sunday, May 4, 2014

Que adrenalina!


Essa semana, li uma reportagem que me deixou indignada! Era sobre o caso de uma criança, do estado de Goiás, que não consegue se matricular na rede pública estadual por sofrer de alergia alimentar múltipla. A secretaria estadual declara que 'o professor ou qualquer outro funcionário da escola não pode se responsabilizar em ministrar um medicamento que pode causar danos à saúde, se aplicado de forma incorreta'.
O medicamento em questão é um tipo de seringa conhecida por 'caneta de adrenalina', muito simples de usar: remove-se a tampinha e aperta-se a ponta da caneta contra o corpo da criança, geralmente na coxa. Pode ser aplicada até mesmo por cima das roupas. Crianças que precisam desse tipo de tratamento de emergência, geralmente, andam com uma carteira ou bolsa com o medicamento. É o caso dessa criança.

Tudo que os pais da menina pedem é que ela seja observada para não comer algo que não pode e, no caso de ela acabar comendo algo que cause uma reação alérgica, de se aplicar o medicamento e avisá-los.
 
Em janeiro desse ano, me formei educadora infantil aqui na Austrália e, para completar o curso, é exigido dos alunos que passem por um período de estágio numa instuição de ensino e por um curso de nível intermediário de primeiros-socorros. Durante esses dois treinamentos, a gente aprende como prevenir e como lidar com situações de emergência em caso de choque anafilático, causado por alergênicos. Todos os profissionais qualificados a trabalhar com crianças (escolas, creches, centros de recreação etc) no país têm conhecimento do problema e do medicamento e sabem o que fazer no caso de uma reação alérgica.

Ao ler a reportagem - que pode ser lida na íntegra através desse link: http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/04/escola-de-goias-recusa-matricula-de-menina-com-alergia-alimentar.html - lembrei de minha prima, que tem uma filha que é alérgica a picada de formigas e que também carrega sua maletinha com o remédio pra onde quer que vá. Perguntei à ela como é a situação da menina na escola.

Ela me disse que, quando o problema foi descoberto e diagnosticado, ela passou instruções às professoras da menina na escola pública onde ela estuda. Ela também contou que as professoras foram muito atenciosas, mas, não se responsabilizaram em aplicar a injeção de adrenalina, caso a medicação via oral não surtisse efeito. Como a escola fica próxima a um pronto socorro, minha prima aceitou a condição e deixou instruções para ser avisada imediatamente no evento de qualquer reação alérgica.

Muitas crianças diagnosticadas como alérgicas, quando jovens, se vêem curadas depois dos quatro ou cinco anos de idade, quando o sistema imunológico está maduro o suficiente para assimilar a substância alergênica. Algumas delas, é claro, não têm a mesma sorte e crescem para uma vida de constantes cuidados.

Mas, a verdade é que, na maior parte do tempo da vida de pessoas, mesmo as crianças, alérgicas, nada de excepcional acontece! Elas comem, bebem, dormem, falam, trabalham, brincam e podem levar uma vida muito próxima do normal. Com cuidados, uma reação alérgica nunca vai acontecer.

O que me deixou indignada foi descobrir como a rede pública de ensino do nosso país não só é despreparada como discrimina crianças com necessidades especiais! Como pode o sistema público de ensino não oferecer alternativas razoáveis às crianças que requerem atenção especial por motivo de saúde, qualquer que seja? A mãe da menina da reportagem acabou conseguindo uma forma de matricular a filha numa escola particular preparada para lidar com casos de alergias, mas qual o destino das crianças alérgicas ou deficientes que não têm a mesma sorte?

O Princípio V da Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959), ratificada pelo Brasil e constante do artigo 84 da Constituição Federal, diz que "à crianças incapacitadas física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar", assim como o Princípio VII que diz que "a criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário".

Apesar de, nos casos de que tenho conhecimento, a família ter encontrado uma forma de garantir à criança o acesso à educação, o sistema deveria estar preparado a oferecer alternativas e acolher toda e qualquer criança em idade escolar em vez de fazer pais darem a meia-volta, frustrados, com a tarefa de encontrarem uma saída por eles mesmos! :-/

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